Ridícula a tentativa de Serra de explorar o caso do sigilo fiscal de sua filha. Um locutor, evidentemente se servindo das imagens dos jornais que alimentam a história, discorreu longa e monotonamente sobre presente passado e futuro de arapongagens várias, para acusar, sem nenhuma prova a campanha de Dilma. A fala de Serra passava tudo, menos indignação.
E uma frase, cabotinérrima, entrega o que ele pensa de sua mesmo: “eu me preparei a vida inteira para ser presidente da República”.
Pronto, taí o “predestinado”, o “escolhido”, o “eleito”. Se não foi pelo povo, por quem será. Por ele mesmo?
E taí porque Serra apela para tudo, agora que percebeu que, como não foi em 2002, não será agora.
E, com as idéias que passou a defender, com as elites que passou a ser vir, não será nunca, se Deus quiser.
Sep
Dilma é governo para gente
o programa de Dilma, que acaba de ir ao ar no horário eleitoral gratuito foi um show. Mostrou realizações, obras, programas de governo, mas colocando em evidência o reflexo disso no ser humano. Vou ver se acompanho o do Serra- preparando o estômago – e tento trazer aqui para vocês.
Mas não deixe de assistir, se não assistiu, o programa da candidata do povo brasileiro.
O Blog do Rovai, do jornalista Renato Rovai, editor da revista Forum, publicou hoje um post interessante que levanta a hipótese de que a quebra de sigilo de pessoas próximas a Serra tenha se dado por fogo amigo tucano.
Quando o sigilo da filha de Serra foi quebrado, em setembro de 2009, a disputa entre Serra e Aécio pela indicação do PSDB à Presidência estava no auge. E alguns fatos suspeitos teriam acontecido no período.
O jornal Estado de Minas estaria preparando material jornalístico contra Serra e o tucano paulista teria tomado conhecimento disso. No início de novembro, a coluna de Joyce Pascowich, na Folha de S.Paulo, publica que um político teria agredido a namorada e o jornalista Juca Kfouri escreve que foi Aécio.
Em 18 de dezembro, Aécio desiste da disputa.
“Esta poderia ser uma linha de apuração para a quebra de sigilo da filha de Serra em setembro de 2009, auge da disputa entre Serra e Aécio”, sugere Rovai, que ainda levanta uma pergunta procendente:
“Se é caso de aparelhamento de Estado, por que o PT contratou um contador maluco com uma procuração falsa para ter os dados de Verônica Serra? Não seria mais fácil pedir para alguém de confiança da Receita fazer o serviço?
Sep
Ô Noblat, vá ao dicionário…
O blog do jornalista Ricardo Noblat publica uma nota extremamente maldosa contra Dilma, dizendo que ela teria cometido um ato falho ao dizer que a quebra de sigilo de Verônica Serra havia sido um “mal-feito”.
Como o Noblat é uma pessoa muito inteligente e que fica muito nervoso quando é criticado, apesar de errar ser humano, reproduzo primeiro o seu texto e depois explico o seu “ato falho”. Leia:
“Talvez tenha sido um ato falho de Dilma Rousseff – nada mais do que isso.
Mas ao se referir, hoje, à quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra, filha de José Serra, e de mais quatro pessoas ligadas ao candidato do PSDB, Dilma saiu em defesa da Receita Federal e disse assim:
- O que pode haver é mal-feito, em qualquer instituição pode haver mal-feito. Acho que o mal-feito tem que ser punido, as pessoas responsáveis têm que ser castigadas quando apurada sua responsabilidade. Mas a instituição tem que ser preservada.
De fato, foi algo mal-feito. Era para ter ficado em segredo pelo menos até depois da eleição. Ou para sempre se ninguém reclamasse.”
Ô, Noblat, você colocou um hífen onde não havia. E viu como adjetivo o que é empregado evidentemente como substantivo “o malfeito” e não “algo malfeito”.
Está lá, no dicionário Houaiss:
Malfeito
sXIII cf. FichIVPM
Acepções
.substantivo masculino
1 Diacronismo: antigo.
crime, delito, malfeitoria
2 Regionalismo: Brasil.
o que traz prejuízo, malefício; o que é ruim; má ação
Ex.:
3 Regionalismo: Sul do Brasil.
encantamento, bruxaria, feitiço
.adjetivo
4 feito incorretamente, mal executado; defeituoso, imperfeito
Ex.: desenho m.
5 que tem configuração má ou defeituosa; disforme
Ex.: perna m.
6 não merecido; injusto, indevido
Viu, Noblat, a Dilma falou certinho. Sua interpretação é que está incorreta e tenho certeza que você irá retificar, não é?
O site G1 acaba de anunciar que o Ministro Aldir Passarinho, corregedor eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), arquivou nesta quinta-feira a ação em que a coligação liderada pelo PSDB à disputa presidencial pedia a cassação do registro da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência.
O ministro disse que não há provas de que a quebra de sigilos fiscais de tucanos tenha beneficiado a candidatura de Dilma Rousseff, e também que não existem evidências de que o caso tenha provocado danos ao equilíbrio da disputa eleitoral.
Passarinho concluiu pelo óbvio: “o caso trata-se de uma questão de cunho penal comum , que deve ser apurada por vias próprias”, o que, segundo ele, está sendo feito inclusive com a participação do Ministério Público Federal.
A ação de Serra e dos tucanos não tinha o menor fundamento jurídico. Destinou-se, apenas, a criar tumulto político e a suposição de que Dilma poderia vir a ser afastada da disputa eleitoral.
Ou seja, golpismo.
É impressionante a desfaçatez do tal Antonio Carlos Atella, o “contador” que usou a procuração falsa para pegar cópia da declaração de renda da filha do Serra. O MP deveria pedir a imediata condução desta figura para prestar interrogatório. O que ele fala em entrevista à CBN é inacreditável: diz que “não se lembra” de quem pediu-lhe a falcatrua mas que, se lembrar, vai querer dinheiro para dizer: “eu pretendo me arrumar nesta história”.
Ainda bem que esta peça foi logo declarando que é eleitor fiel do Serra. Já pensou se ele dissesse que era eleitor de Dilma?
Impressionante também é o comportamento do âncora da CBN, Carlos Alberto Sardenberg, que não faz nenhuma menção à picaretagem do contador de querer se “arrumar” com a informação que pretende um dia, talvez, quem sabe, se lembrar de quem lhe encomendou. O apresentador global não fez a menor objeção moral à atitude do contador. Ao contrário, afirma que a informação “vale dinheiro” tanto para quem quer revelá-la, como para quem deseja ocultá-la. Como comentarista do mercado, assimilou todos os seus princípios. Tudo tem seu preço, até a ética. O contador mandou avisar que essa entrevista também foi a última que deu sem cobrar. Talvez por isso, Sardenberg ache que valha a pena protestar um dia.
O povo não está nem aí para a tentativa golpista dos tucanos, com apoio midiático. O segundo tracking Vox Populi/Band/IG não constatou a menor oscilação entre a preferência do eleitorado. Dilma continua com 51% das intenções de voto, e Serra com 25%.
Na região Sul, Dilma subiu três pontos, acima da margem de erro de 2,2 pontos percentuais, e chegou a 51% da preferência dos eleitores, contra 28% de Serra, que oscilou dois pontos para baixo.
Na pesquisa nacional, Marina aparece em terceiro lugar, com 9%. Brancos e nulos somaram 4%, e indecisos, 11%.
O tracking Vox/Band/iG conta com 2.000 entrevistas. Um quarto dessa amostra (500 entrevistas) é renovada diariamente. A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.
Agnelo Queiroz, do PT e de uma ampla coligação de esquerda, ultrapassou pela primeira vez o candidato Joaquim Roriz (PSC) na disputa pelo governo do Distrito Federal, segundo pesquisa do instituto CB Data, ligado ao Correio Braziliense.
Agnelo chegou a 40% das intenções de voto, contra 34% de Roriz. Mas como a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais, o resultado ainda é considerado empate técnico.
A derrota de Roriz seria importante para o avanço político do país. Roriz é a matriz da corrupção em Brasília e fonte inspiradora de José Roberto Arruda, que teve o mandato cassado após a fraude dos panetones, flagrada em vídeo e áudio. E Arruda era o preferido de Serra para ser seu vice. O tucano chegou a preparar o bordão da campanha, de “vote em um careca e leve dois.”
A candidatura de Roriz foi vetada pelo TSE em 31 de agosto por ter renunciado ao mandato de senador em 2007 para evitar sua cassação, caso previsto pela lei da Ficha Limpa.
A pesquisa que já o mostrou atrás de Agnelo Queiroz foi realizada entre 29 e 31 de agosto, ainda refletindo pouco a decisão do TSE. Roriz ainda pode recorrer ao STF, mas já ficou claro que se a Suprema Corte absolvê-lo, o povo o cassará.
Brasília, por sinal, tende a eleger uma boa bancada para o Senado, com a liderança pelas duas vagas em jogo ocupadas por Cristovam Buarque (PDT) e seu companheiro de coligação Rodrigo Rollemberg (PSB).
E como a maioria do país, Brasília também está com Dilma. Ela tem 42% da preferência dos eleitores, contra 22% de Serra, já ameaçado por Marina, com 15%.
O PT repudiou de forma enfática as ilações golpistas do candidato tucano, que derrotado na preferência do povo recorre à mais vil das práticas políticas, e ingressou na Justiça com ação por calúnia, injúria e difamação contra o sr. José Serra.
A pronta resposta do PT é importante para denunciar o caráter da manobra em curso e desmoralizar seus autores. Como afirmou o presidente do partido, José Eduardo Dutra, no vídeo reproduzido acima, esse é mais um processo contra Serra, cujas inverdades têm sido recorrentes.
Dutra foi ao cerne da questão e denunciou o episódio dos sigilos ficais como armação para impedir que o povo se manifeste de forma soberana e democrática no dia 3 de outubro.
O recurso judicial é legítimo e necessário no Estado de Direito. Mas não é suficiente. Temos que estar atentos e mobilizados em nossas trincheiras. A soberba, a baixeza, a mentira, não podem passar sem combate. Mais virá pela frente, e temos que estar preparados.
O comportamento de José Serra e o dos seus áulicos, titulares de importantes – cada vez menos, felizmente – colunas e blogs na grande imprensa, em tudo recorda o comportamento dos segmentos golpistas incrustados na Aeronáutica nos episódios que, em 1954, levaram à morte do Presidente Getúlio Vargas.
Ali, como agora, exigem apuração em rito sumário, fora do devido processo legal e, como então, não admitem em nenhuma hipótese que qualquer ato criminoso não seja – como não era – responsabilidade pessoal e direta do então Presidente da República. Antes de investigar, julgam. Antes de julgar, condenam.
Agem babujando seu ódio, dizendo-se moralmente indignados, encapuzando-se com a bandeira da democracia quando, na verdade, é só o poder – e o poder contra o povo – o que lhes interessa. Aqueles “democratas” do Galeão, depois de levarem à morte Getúlio, tentaram em dois golpes – Jacareacanga e Aragarças – derrubar o presidente Juscelino Kubistchek, legítima e caudalosamente eleito pelo povo.
As vestais do Galeão tentariam de novo em 61, mas a ditadura militar que pretendiam implantar foi esmagada pela união do povo com militares que honravam suas fardas e seus compromissos constitucionais.
Triunfaram, é verdade, em 64. E deram ao país uma noite de horror, violência, tortura e morte que levou gente honrada e corajosa como Dilma Rousseff a enfrentá-la ao risco de suas próprias vidas.
É irônico que 46 anos depois daquele arreganho autoritário estes propósitos golpistas se encarnem numa figura que, naquela época, ainda não tinha sido tomada pelo mal e pela ambição.
José Serra é uma alma penada do golpismo antitrabalhista de 64. Vagará, com seus gemidos e gritos, cada vez mais só e desesperado. Agora há luz. E com a luz, essas fantasmagorias se esvanecem, se dissolvem, desaparecem.
Se o golpismo policialesco do tucanato se assemelha àquela República do Galeão, há porém, uma circunstância muito diferente. Já não existe o mundo da Guerra Fria; já não existe o medo do comunismo “ateu e apátrida” para engambelar pessoas inocentes. Já não existem o Chateaubriand, o Marinho, o monopólio que restringia a informação a uma pequena camada da população e Serra é uma versão revista e piorada do Lacerda que saiu da esquerda para ser o corvo da direita.
E há agora, sobretudo, um líder popular na plenitude de suas energias, reconhecido pelo povo como Getúlio foi, a quem esbanja forças para enfrentar o golpe e a quem não resta apenas o gesto heróico que sobrou como última arma para Vargas.
Há, sobretudo, um povo esclarecido e que já tomou posição. A força do povo já se tornou um escudo intransponível para defender a democracia brasileira.
A esta gente, mais do que a vergonha e o estigma que cobriu os golpistas do passado, restará apenas o destino que a história reserva aos que se opõe à sua inexorável marcha.
O povo brasileiro é mais forte que qualquer manobra, que qualquer golpismo, que qualquer indignidade. Porque este povo, esta gente, que tem, mesmo inconscientemente as lições de sua história pulsando nas veias, não mais, por Deus, não mais será escravo de ninguém.















