Já não há o que falar da história do escândalo envolvendo o Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. A entrevista que ele dá hoje à Folha de S. Paulo é um espetáculo de cinismo. Diz que arrecada recursos para distribuir panetones há dez anos, mas nunca os declarou. Ele próprio, na falta de recibos, mandou Durval Carneiro, o que agora o denuncia, assinar recibos este ano, sobre todo o valor recebido. Diz que um empresário deu “espontaneamente” R$ 400 mil, mas que quando Durval o procurou, disse que não estava em campanha e mandou dar aos aliados.
Os fatos, nauseantes, já não precisam de mais repetições.
O que está no fundo desta história é mais importante.
Arruda chegou ao governo em nome de um “choque de ordem”. Atacou algumas irregularidades cometidas pela classe média para atrair manchetes e dar legitimidade ao que pretendia, de fato, fazer. Na periferia, nas cidades satélites, meteu tratores impiedosamente em casas de gente pobre, que as erguera por anos a fio, com sacrifício. Os catadores de papel, aliás, foram seus primeiros alvos. Logo no primeiro mês de governo, mandou abaixo 300 casebres onde viviam, na Estrutural.
Arruda fez um governo-padrão para a elite, que acha que pode viver melhor se os pobres forem mantidos bem longe. Nas áreas nobres, nem como camelôs. Andem por Brasilia nos fundos de prédios e estacionamentos para ver que foram-se os camelôs, vieram os indigentes. E, se nunca se preocupou por tirar suas casas, a nossa Maria Antonieta do cerrado deu-lhes panetones. Tudo regado a fartíssima publicidade. A ilustração deste post vem do blog da jornalista Paola Lima, daqui de Brasília, que mostrou, em julhodeste ano como Arruda pagou R$ 462 mil à Editora Abril para distribuir a Veja nas escolas públicas de Brasilia e, logo depois, foi agraciado com uma longa entrevista nas “Páginas Amarelas” da revista.
Reproduzo aqui um depoimento isento. Um carioca, sem nenhum interesse eleitoral, esteve em Brasília em marco deste ano. Leiam o que o jornalista Sidney Rezende, registrou em seu site naquele mês, quando o Datafolha classificava Arruda como o sexto mais popular governador do país, com 59% de aprovação.
Estive dois dias em Brasília e fiquei surpreso com a baixa popularidade do governador José Roberto Arruda. Pensei que ele estivesse bem. Não é isso que dizem as os institutos de pesquisa? Inteligente, dinâmico, operoso.
A verdade que constatei é que todos, rigorosamente todos, a quem perguntei sobre o governo dele, e se teria chances numa possível reeleição, ouvi só críticas. Só negativas.
A principal delas é que Arruda não trata com respeito o andar de baixo, como diria Elio Gaspari. “Ele apreende mercadorias e deixa o pobrezinho que vende quinquilharias sem sustento”, disse um taxista. Ouvi até gente dizer que sua comunicação está péssima com o povão.
Arruda é um exemplo perfeito daquilo que meu avô costumava referir-se como sendo a pior e mais fatal praga: ser amaldiçoado pelos pobres.







Brizola:
É torcer para que essa maldição pegue Serra e sua linha de frente. Por falar em seu avò, hoje o Rodrigo Vianna refere-se a ele no blog, ao criticar Lula por se render às exigencias da Band na Confecon. Rodrigo diz que, ao contrário de Lula, Brizola não temia o confronto.
O que precisamos entender,é que o Presidente da República, está sempre, ao mesmo tempo tratando de diversos assuntos. Certamente não tem condições “on-time”, como muitos de nós, se manter atualizado. Recebe, claro, rapidamente, informações da assessoria. Foi informado dos vídeos, sem porém telas visto quando deu a entrevista. Ele falou: “imagens por si só″, e não “as imagens por si só″. Ou seja, fez referencia genêrica e não específica, como a imprensa maliciosamente insinuou ao acrescentar o “as”. Agora, convenhamos, voces acham que Lula iria ajudar o DEM e o PSDB a rápidamente enterrarem o “defunto” deles (Arruda), para que não sintamos toda a “catinga”? Quero ver eles defendendo o Arrudão até que se contaminem a todos. Essa é a “criança” deles, que a embalem.
Frases pinçadas de uma entrevista, no sentido de desvirtuar a opinião são corriqueiros na nossa imprensa. O próprio Luiz Carlos Azenha, dessa vez foi induzido. Também criticou a questão das imagens, citadas por Lula. Alertado pelos seus leitores, foi buscar a íntegra da entrevista, o que o levou a fazer o “mea culpa”, refazendo o artigo. Abaixo uma citação do Serjão do FHC, ao planejar vinte anos de poder para o PSDB:
-” Jornalista come na mão, se farto for o grão!”
A desculpa deles: “não tem pão, distribuia panetones” …
Até parece …
Em paises sérios isso dá cadeia. No ato. Aqui… Tenho a impressão de que o nosso Presidente fala demais. Por isso, dá bom dia prá cavalo! Podia ter ficado quietinho. Está sempre querendo capitalizar. Com essa do Arruda, queima a mão ao dar margem para as famosas manobras que levam a pizza ao forno. Flagrante, prova cabal. Melhor mudar a prosa de como, p.ex., o PMDB vai “reaparelhar” a sua velha identidade guerreira com Roberto Requião! Será?
O único governador do Arena vai pro saco…
O Brasil melhora a passos largos!
Esmael Morais – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou pela primeira vez nesta terça-feira (1) as denúncias que envolvem o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), o vice, Paulo Octávio (DEM), empresários e integrantes do governo nesse que já é chamado de “Mensalão do DEM em Brasília”. Para Lula, as imagens em que o pivô do escândalo, Durval Barbosa, distribui pacotes de dinheiro “não falam por si” e não o autorizam “a fazer juízo de valor” sobre o caso. “A imagem não fala por si. O que fala por si é todo o processo de apuração, é todo o processo de investigação. Quando tiver toda a apuração e investigação terminadas, a Polícia Federal vai ter que apresentar o resultado final do processo. Aí você pode fazer juízo de valor e mesmo assim quem vai fazer é a Justiça”, afirmou o presidente.