onulula1Devemos prestar muita atenção ao pronunciamento de Lula na abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas. O Brasil dispõe desta tribuna privilegiada, graças à ação de um trabalhista, companheiro de Getúlio Vargas na derrocada do estado oligárquico da República Velha, Oswaldo Aranha, que abriu a primeira reunião da entidade, há 62 anos. Acho que, desta vez, ela foi muito bem aproveitada, para dizermos ao mundo coisas importantes.

Destaco, abaixo, alguns dos trechos que me mais me chamaram a atenção:

Sobre a crise econômica mundial:

Mais do que a crise dos grandes bancos, essa é a crise dos grandes dogmas. O que caiu por terra foi toda uma concepção econômica, política e social tida como inquestionável. O que faliu foi um insensato modelo de pensamento e de ação que subjugou o mundo nas últimas décadas. Foi a doutrina absurda de que os mercados podiam auto-regular-se, dispensando qualquer intervenção do Estado, considerado por muitos um mero estorvo. Foi a tese da liberdade absoluta para o capital financeiro, sem regras nem transparência, acima dos povos e das instituições. Foi a apologia perversa do Estado mínimo, atrofiado, fragilizado, incapaz de promover o desenvolvimento e de combater a pobreza e as desigualdades; a demonização das políticas sociais, a obsessão de precarizar o trabalho, a mercantilização irresponsável dos serviços públicos. A verdadeira raiz da crise foi o confisco de grande parte da soberania popular e nacional – dos Estados e dos governos democráticos – por circuitos autônomos de riqueza e de poder.

Sobre a recuperação da economia:

Aprofundamos nossos programas sociais, especialmente os de transferência de renda. Aumentamos os salários acima da inflação. Estimulamos, por meio de medidas fiscais, o consumo para impedir que se detivesse a roda da economia. (…)

Mas não tenho a ilusão de que poderemos resolver nossos problemas sozinhos, apenas no espaço nacional. A economia mundial é interdependente. Estamos todos obrigados a atuar além de nossas fronteiras. Por isso, é imprescindível refundar a ordem econômica mundial.

Sobre Honduras e o embargo dos EUA a Cuba:

Não somos voluntaristas. Mas sem vontade política não se pode enfrentar e corrigir situações que conspiram contra a paz, o desenvolvimento e a democracia. Sem vontade política persistirão anacronismos como o embargo contra Cuba. Sem vontade política continuarão a proliferar golpes de Estado como o que derrocou o Presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, que se encontra, desde segunda-feira, refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país e deve estar atenta à inviolabilidade da missão diplomática brasileira na capital hondurenha.”

Energia: petróleo e biomassa

A matriz energética brasileira é das mais limpas do planeta: Quarenta e cinco por cento da energia consumida no país é renovável. No resto do mundo apenas 12% é renovável, enquanto que nos países da OCDE essa proporção não supera 5%. Oitenta por cento de nossa eletricidade provém igualmente de fontes renováveis. Vinte e cinco por cento de etanol está misturado à gasolina que consomem nossos veículos. (…) 

O etanol brasileiro e os demais biocombustíveis são produzidos em condições cada vez mais adequadas, sobretudo a partir do zoneamento agroecológico que acabamos de implantar, mandando para o Congresso Nacional.

 Proibimos a cana-de-açúcar e as usinas de álcool em áreas de vegetação nativa. A decisão vale para toda Amazônia e nossos principais biomas.

 O plantio da cana-de-açúcar não ocupa mais do que 2% de nossas terras agricultáveis. Distinto de outros biocombustíveis, ele não afeta nossa segurança alimentar nem compromete o equilíbrio ambiental. Empresários, trabalhadores e governo firmaram um importante compromisso para assegurar o trabalho decente nos canaviais brasileiros.

 Todas essas preocupações fazem parte da política energética de um país autosuficiente em petróleo e que acaba de descobrir grandes reservas que nos colocarão na vanguarda da produção de combustíveis fósseis. Mas o Brasil não renunciará à agenda ambiental para ser apenas um gigante do petróleo. Queremos consolidar nossa condição de potência mundial da energia verde.”

Eu sei bem que há distância entre intenção e gesto e que muita coisa neste governo está longe do que a gente deseja. Sei também que faltou falar em educação, em conhecimento, chaves da soberania das nações no mundo moderno. Mas é muito, muito bom poder ver um presidente brasileiro falar de cabeça erguida diante do mundo sem ficar prometendo “fazer a lição de casa”, oferecer o país aos especuladores  e bajular o pensamento dominante.

Postado por 22 comentários

22 Comentários até agora.

  1. Jane Grilo says:

    Por favor, CRISTOVAM BUARQUE para Presidente! Pode ser o LUpi também…Eles são ótimos candidatos!!

  2. Jane Grilo says:

    Caro Brizola Neto, é uma honrra poder teclar algumas palavras
    para você. Sou admiradora de um dos maiores estadistas que o nosso país já teve LEONEL BRIZOLA seu avô. O que eu posso dizer…, crei que estou falando com um, também, estadista. Seu avô deve estar muito rgulhoso!!
    Muito prazer.

  3. olga says:

    Para o Isac Justino:

    Só mesmo se os pedetistas pretendem trair a memória de Brizola.

  4. isac justino says:

    pessoal.vamos pra frente..lula é lula …e pronto..Ano que vem o PDT estara com Dilma…

  5. Rodrigo Fischer says:

    Caro amigo, Getúlio Vargas foi um dos políticos brasileiros mais nacionalistas que ocupou a cadeira de Presidente da República, destacando também Rodrigues Alves, entre outros. O que aprendemos com a história da nossa história política? Que democracia é essa quem vivemos? Do voto corrompido, desprovido de qualquer ideologia. Aí é que entra o legado de mais um mártir brasileiro, Leonel de Moura Brizola, o legado do Estado versus EDUCAÇÂO DO POVO!! Amigo, Estado máximo e Estado mínimo é umam questão filósofica, muito temos que nos espelhar com Keynes e Maquiavel. A nossa questão é puramente econômica, sustentamos seus modos de vida e suas guerras, nosso povo vive sem esgotos e o deles anda de mercedes. Parte da mídia ainda sustenta essa ideologia mesmo após a duas décadas da queda do muro de Berlin. Keynes amigo, nossa história é perpetuada de nacionalista, os 18 do Forte, a Colunna Miguel Costa- Prestes….
    Cadê a classe média brasileira? Assistindo novela e preocupando-se com futilidades…..

  6. olga says:

    Fui e continuo “brizolista”. Brizola foi o maior político verdadeiramente nacionalista que conheci.Meu pai era comunista e não apreciava nem um pouco Getúlio Vargas. Mas, foi, no colo de meu pai,que ouvi Brizola em um comício dizer que seu slogam seria o que lhe pediam os trabalhadores:”Escola, dr. Brizola”. E esse compromisso de Brizola com a educação tocou meu coração. E assim ele mereceu e merecerá sempre a minha admiração, pois ele sabia o que realmente liberta um povo: o conhecimento. E quanto ao Lula, fico com aquilo que ouvi do próprio Brizola: “Lula é cria da ditadura”. Nunca duvidei de Brizola, mas, hoje, tenho certeza absoluta que BRIZOLA TINHA RAZÃO.

  7. Prof. Fernando Nunes says:

    Logo nos primeiros dias de seu governo, ou foi um pouco antes da posse (não me recordo bem) quando se referiu a um subsecretário dos EUA como sendo o “sub do sub”, Lula mostrou a que veio. Em seu mandato, o mundo precisaria olhar o Brasil com outros olhos e, mais que isso, precisaria ouvir o que tínhamos a dizer. Se muita coisa ainda precisa ser feita nessa terra, para que possamos deixar de ser o “país do futuro” e possamos passar a ser uma nação presentemente soberana, desenvolvida e igualitária, é inegável que muitos passos foram dados nesses sete últimos anos. O fato de o processo de desmoralização política ter alcançado picos nunca antes vistos ou mesmo sonhados, deve-se mais a uma crise de referenciais ético-sociais vivenciados pela humanidade que a ações de indivíduos isolados, embora também o seja. O que quero dizer com isso é que a corrupção, seja ela de que matiz for, não é nova entre a espécie humana, mas a dócil aceitação dela, sim. É o que Hannah Arendt chama de banalização do mal. Com Lula conduzindo nossa não, chegamos a um índice de orgulho nacional que penso, ser sem precedentes, ou, parafraseando-o, “nunca na história desse país” o povo pôde ser tão orgulhoso de ser brasileiro. Não de forma tão palpável. A soberania é uma realidade inquestionável. Nosso lugar na comunidade internacional não é apenas perceptível, mas também audível. Nisso o ministro Celso Amorim merece ser louvado, dada a sua parcela de contribuição. Problemas existem e, com certeza, existirão sempre. Copa do Mundo e Olimpíadas não resolverão nossos problemas. Certamente até nos trarão outros tantos. Mas passos importantes foram dados, no sentido de superarmos nossas desventuras. Não me refiro à Bolsa Família, que, sem uma ação complementar mais eficaz, até pode retardar nosso desenvolvimento. Refiro-me, notadamente, ao destaque dado à educação. Piso salarial nacional dos educadores, Institutos Federais de Ensino, PROUNI e várias outras medidas, embora insuficientes em si mesmas para resolver os problemas ligados à educação, são marcos de uma mudança na forma de se pensar e agir na gestão educacional. Nesse aspecto, ha de se destacar o papel do Senador Cristóvam Buarque e dos demais membros da bancada do PDT, os quais levantaram a bandeira educacional e ousaram propor uma revolução pela educação. Aproveito o ensejo para dizer que será lamentável não ver essa bandeira novamente tremulando nos mastros da próxima eleição presidencial. Como educador e como cidadão brasileiro, estava empolgado com a esperança de ver a bandeira da revolução educacional ser içada e defendida com unhas e dentes pelo nosso senador da educação no próximo pleito eleitoral. Lamento que o PDT esteja inclinado a não lançar uma candidatura própria. Penso que um alinhamento com o PT poderia ser pensado para um possível segundo turno. Talvez o PDT não chegasse à vitória nas urnas, mas, com certeza, forçaria o debate, como fez na última eleição presidencial, em torno da educação. Esta é uma reflexão de um professor de história recém convertido ao pdtismo e isso, por ter visto nessa legenda a única possibilidade de se corrigir as falhas cometidas pelo atual governo, sem apagar os avanços dados pelo mesmo. Quero digitar 12 nas urnas e quero que muitos o faça nas próximas eleições. Cristovam Buarque para presidente! Educação em primeiríssimo lugar!

  8. SERGIO OLIVEIRA says:

    O LUla foi cria do Golbery para prejudicar Brizola. Quando Brizola voltou do exílio e foi visitá-lo lá no Sindicato, no ABC, ele desdenhou de Brizola e disse que Getúlio tinha ferrado os trabalhadores e dizia que a CLT era ao AI 5 dos trabalhadores; hoje el tenta se comparar a Getulio, querendo criar uma CLS – Consolidação das Leis Sociais, numa alusão à CLT. O Lula foi fazer um curso de sinjdicalismo numa Universidade americana, da Cia, para parecer de esquerda; outro dia ele disse que nunca foi de esquerda. Leiam o que Mario Garnero escreveu no seu livro Jogo Duro:
    Líder sob encomenda

    por MÁRIO GARNERO
    Eu me vi obrigado, no final do ano passado, a enviar um bilhetinho pessoal a um velho conhecido, dos tempos das jornadas sindicais do ABC. Esse meu conhecido tinha ido a um programa de tevê e, de passagem, fez comentários a meu respeito e sobre o Brasilinvest que não correspondem à verdade e não fazem jus à sua inteligência.

    Sentei e escrevi: “Lula…” Achei que tinha suficiente intimidade para chamá-lo assim, embora, no envelope, dirigido ao Congresso Nacional, em Brasília, eu tenha endereçado, solenemente: “A Sua Excelência, Sr. Luiz Ignácio Lula da Silva”. Espero que o portador o tenha reconhecido, por trás daquelas barbas.

    No bilhete, tentei recordar ao constituinte mais votado de São Paulo duas ou três coisas do passado, que dizem respeito ao mais ativo líder metalúrgico de São Bernardo: ele próprio, o Lula. Não sei como o nobre parlamentar, investido de novas preocupações, anda de memória. Não custa, portanto, lembrar-lhe. É uma preocupação justificável, pois o grande líder da esquerda brasileira costuma se esquecer, por exemplo, de que esteve recebendo lições de sindicalismo da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, ali por 1972, 1973, como vim a saber lá, um dia. Na universidade americana até hoje todos se lembram de um certo Lula com enorme carinho

    Além dos fatos que passarei a narrar, sinto-me no direito de externar minha estranheza quanto à facilidade com que se procedeu à ascensão irresistível de Lula, nos anos 70, época em que outros adversários do governo, às vezes muito mais inofensivos, foram tratados com impiedade. Lula, não – foi em frente, progrediu. Longe de mim querer acusá-lo de ser o Cabo Anselmo do ABC, mesmo porque, ao contrário do que ocorre com o próprio Lula, eu só acuso com as devidas provas. Só me reservo o direito de achar estranho..

    Lembro-me do primeiro Lula, lá por 1976, sendo apresentado por seu patrão Paulo Villares ao Werner Jessen, da Mercedes-Benz, e, de repente, eis que aparece o tal Lula à frente da primeira greve que houve na indústria automobilística durante o regime militar, ele que até então era apenas o amigo do Paulo Villares, seu patrão. Recordo-me de a imprensa cobrir Lula de elogios, estimulando-o, num momento em que a distensão apenas começava, e de um episódio que é capaz de deixar qualquer um, mesmo os desatentos, com um pé atrás.

    Foi em 1978, início do mês de maio. Os metalúrgicos tinham cruzado os braços, a indústria automobilística estava parada e nós, em Brasília, em nome da Anfavea, conversando com o governo sobre o que fazer. Era manhã de domingo e estive com o ministro Mário Henrique Simonsen. Ele estivera com o presidente Geisel, que recomendou moderação: tentar negociar com os grevistas, sem alarido. Imagine: era um passo que nenhum governo militar jamais dera, o da negociação com operários em greve. Geisel devia ter alguma coisa a mais na cabeça. Ele e, tenho certeza, o ministro Golbery.

    Simonsen apenas comentou, de passagem, que Geisel tinha recomendado que Lula não falasse naquela noite na televisão, como estava programado. Ele era o convidado do programa Vox Populi, que ia ao ar na TV Cultura-o canal semi-oficial do governo de São Paulo. Seria uma situação melindrosa. “Nem ele, nem ninguém mais que fale em greve”, ordenou Geisel.

    Saí de Brasília naquela manhã mesmo, reconfortado pela notícia de que ao governo interessava negociar. Desci no Rio com as malas e me preparei para embarcar naquela noite para uma longa viagem de negócios que começava nos Estados Unidos e terminava no Japão. Saí de Brasília também com a informação de que Lula não ia ao ar naquela noite.

    Mas foi, e, no auge da conflagração grevista, disse o que queria dizer, numa televisão sustentada pelo governo estadual. Fiquei sabendo da surpreendente reviravolta da história num telefonema que dei dos Estados Unidos, no dia seguinte. Senti, ali, o dedo do general Golbery. Mais tarde, tive condições de reconstituir melhor o episódio e apurei que Lula só foi ao ar naquele domingo porque no vai-não-vai que precedeu o programa, até uma hora e meia antes do horário, prevaleceu a opinião de Golbery, que achava importante, por alguma razão, que Lula aparecesse no vídeo. O general Dilermando Monteiro, comandante do II Exército, aceitou a argumentação, e o governador Paulo Egydio Martins, instrumentado pelo Planalto, deu o nihil obstat final ao Vox Populi.

    Lula foi a peça sindical na estratégia de distensão tramada pelo Golbery – o que não sei dizer é se Lula sabia ou não sabia que estava desempenhando esse papel. Só isso pode explicar que, naquele mesmo ano, o governo Geisel tenha cassado o deputado Alencar Furtado, que falou uma ou outra besteira, e uns políticos inofensivos de Santos, e tenha poupado o Lula, que levantava a massa em São Bernardo. É provável que, no ABC, o governo quisesse experimentar, de fato, a distensão. Lula fez a sua parte.

    Mais tarde, ele chegou a ser preso, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, enfrentou a ameaça de helicópteros do Exército voando rasantes sobre o estádio de Vila Euclides, mas tenho um outro testemunho pessoal que demonstra o tratamento respeitoso, eu diria quase especial, conferido pelo governo Geisel ao Lula- por governo Geisel eu entendo, particularmente, o general Golbery. Dois ex-ministros do Trabalho- Almir Pazzianotto e Murilo Macedo – podem dar fé ao que vou narrar.

    Aí, já estávamos na greve de 1979, que foi especialmente tumultuada. O movimento se prolongava, a indústria estava parada havia quinze dias, e todos nós, exaustos, empresários e trabalhadores, tentávamos uma solução. Marcamos, no fim de semana, uma reunião na casa do ministro do Trabalho, Murilo Macedo, aqui em São Paulo. Domingo, 8 da noite. O ministro, mais o Theobaldo de Nigris, presidente da Fiesp, dois ou três representantes de sindicatos patronais, eu, pela indústria automobilística, e a diretoria dos três sindicatos operários, o de São Bernardo, o de São Caetano e o de Santo André. Reunião sigilosa. Coisas do Brasil: como era um encontro reservado, a imprensa ficou sabendo. Chegou antes de nós.

    Muita tensão, muito cansaço. E como o uísque do ministro era generoso, por volta das 2 da manhã tivemos a primeira queda. Literalmente, desabou sobre a mesa de negociações o deputado federal Benedito Marcílio, presidente do Sindicato de São Caetano, continuamos sem ele. Por volta das 4 e meia da madrugada , fechamos o acordo com Lula e com o outro (Pazzianotto servia como assessor jurídico do Sindicato de São Bernardo). Saem todos. Lula assume o compromisso de ir direto para a assembléia permanente em Vila Euclides, e desmobilizar a greve. O ministro do Trabalho, aliviado, ainda teve tempo de confidenciar: “Olha, se não saísse esse acordo, teria intervenção nos sindicatos”. Fomos dormir.

    Quando acordei, disposto a saborear os frutos do trabalhoso entendimento, sou informado de que, de fato, Lula tinha ido direto para a assembléia. Como prometera. Chegou lá e botou fogo na massa. A greve iria continuar. Acho difícil que ele tenha feito de má fé. Sujeito maleável, sensível, ele deve ter percebido que o seu poder de persuasão sobre a assembléia não era tão amplo assim. Cedeu. Mesmo sabendo que as conseqüências se voltariam contra ele, como havia dito o ministro Murilo Macedo: intervenção no sindicato, ele afastado. Foi o que se deu.

    Gostaria de lembrar ao Lula – que me trata como um desafeto – que sua volta ao sindicato, em 1979, começou a acontecer num escritório da Avenida Faria Lima, número 888, um dia depois da intervenção decretada. Ocorre que esse escritório era o meu e que ainda guardo uma imagem bastante nítida do Lula e do Almir Pazzianotto, sentadinhos nesse mesmo sofá que eu ainda tenho sob meus olhos, enquanto eu ligava alternadamente para o Murilo Macedo e para o Mário Henrique Simonsen, em Brasília.

    - Se a intervenção acabar no ato, eu paro a greve – dizia Lula.
    Eu transmitia o recado aos dois ministros que negociavam em nome do governo.
    - Não é possível, o governo não pode fazer isso. Pára a greve que, em quinze, vinte dias, o sindicato estará livre – me respondiam, de Brasília.
    Lula foi cedendo, aconselhado pelo Pazzianotto. Mas o acordo empacou num ponto:
    - Como é que vou lá propor isso à peãozada, se não tenho nenhuma garantia de que o governo vai cumprir a promessa de acabar com a intervenção? – observou ele, cauteloso.
    Confesso que também empaquei. Mas decidi arriscar:
    - E se for eu o fiador? – perguntei. Era a única garantia que poderia oferecer.
    - Como assim? – quis saber Pazzianotto.
    - O seguinte: se o Lula não voltar ao sindicato, eu, na qualidade de presidente da Anfavea, vou ao público e conto esta história, dizendo que eu também fui ludibriado. Entro nisso com vocês.
    Lula pensou um minuto:
    - Aceito.
    Liguei para o ministro Simonsen, para o Murilo Macedo, e, depois, para o Golbery, que prometeu: “Nós suspendemos a intervenção dentro de um mês e ele volta”.
    A greve terminou. A intervenção foi suspensa em dez dias. Lula voltou à presidência do Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, para se preparar para vôos mais ambiciosos, que eu ainda acompanho, à distância, com bastante interesse.

    No programa de tevê que citei, Lula reclamava de o Brasilinvest não ter pago seus débitos. O Brasilinvest nunca deveu aos trabalhadores, nem aos contribuintes brasileiros. Naquele momento em que Lula falava, os únicos credores com os quais os Brasilinvest ainda não tinha resolvido todas as suas pendências eram uns poucos bancos estrangeiros. Curioso que o presidente do Partido dos Trabalhadores tomasse as dores de banqueiros internacionais.

  9. Fernando L Ribeiro says:

    Todos no fundo tem inveja de Lula, um trabalhador que conquitou um espaço político capaz de dar o Brasil posição privilegiada social e economica no Mundo. A elite aquela que apenas quer ter poder dentro dos gabinete sentem-se constrangida uma vez que estão sendo obrigado a dividir suas riquezas e poder com os demais. Precisamos ter mais LULAS no poder para termos um grande País.

  10. SERGIO OLIVEIRA says:

    Discurso do Lula ? Piada. Em 2000 ele discursava contra Vale Gás, Bolsa Escola, ticket leite, etc., dizendo que isto era compra de votos. No governo juntou tudo na Bolsa Família que, agora, não é comprade votos. É um humoritsta.

  11. NERCI JOSÉ MUCHA says:

    e bonito ouvir o lula falar, mas fala e discurso num enche a barriga pelo contrario ilude, gostaria de ouvir ele pronunciar que mudou a regra do bolsa familia que ao inves de gerar pobreza começa´se a gerar gente interesada em melhorar de vida para aumentar a rende do bolsa familia e não se melhora de renda a familia perde o bolsa familia enquanto isso num for resolvido a pobreza so cresce, abre olho governo e muda isso é tão simples

  12. Antonio Santos Aquino says:

    Silvana, o que levou Brizola a ter direito de resposta contra a globo. Foi em razão de Roberto Marinho ter chamado Brizola de senil, sendo ele Roberto Marinho, muito mais idoso que Brizola. Acho melhor que solicite material completo, ao próprio deputado Brizola Neto, que tranquilamente lhe atenderá,

  13. SERGIO OLIVEIRA says:

    Sempre que o PDT adere a um governo, em troca de uma secretaria,ministério, etc e tal, apresenta suas reivindicações, entre elas os CIEPS e nenhum dos governos aos quais aderiu fez um, sequer. O PT-Lula fala no “mais educação”, que, na verdade, seria um CIEP meia boca. Lula, Dilma, Marina, Ciro, Heloisa Helena, eu fora. Quero candidato próprio. Se não tiver
    e se o PDT for com um dos antes citados, não tenho compromisso algum. Minha fidelidade é ao PDT puro. Minha fidelidade é partidária.Não é “coligária”, “adesista”.

  14. Wellington Alves says:

    Concordo com o Darci Borges, a coisa melhorou significativamente com o governo do grupo do Lula, isso é indiscutivel, claro que sempre dá pra melhorar, sempre vai ter coisas pra fazer e tal, mas vejam, o Brasil livrou-se do famigerado FMI e hoje empresta 10 bilhões de dólares ao Fundo.
    Me parece claro tb que se o Governo Lula se posicionar mais a esquerda, se deixar de governar dentro da legalidade, quero dizer com o Congresso e Judiciário funcionando perfeitamente e plenamente, dará motivo pra Direita apoiada pela grande imprensa dá um golpe e tomar o poder pela força, concordo que pra governar dentro da legalidade tem de ter o apoio de grupos como PMDB de Sarney, PTB sujo etc e esses grupos é que são responsáveis pelo chamado Mensalão e outras mazela da vida publica.
    Sinto que esse governo é o menos corrupto das últimas décadas, noutra oportunidade falarei sobre isso.

  15. Jean Berlanda says:

    Esta insistência do Lula em querer que o Brasil ocupe uma cadeira no conselho de segurança da ONU nos deixa realmente perplexos, pois se não consegue oferecer segurança nem em seu próprio país, ao seu povo, que vive uma espécie de guerra civil não declarada, imagina que moral pode ter para fazer tal pedido.
    Agora arrumou um aliado de peso para defender sua posição, o Presidente da França. Só que o preço também é de peso, não é mesmo? Compra de aviões, submarinos………libertação do Battisti…
    Mas, como ele é o cara, então é bem provável que consiga.

  16. Cristiano Muetzenberg says:

    Acho que este governo Lula está longe de ser reconhecido como um governo efetivamente de transformações,ou como ele mesmo diz quando em alguns discursos quer se igualar a Getulio Vargas.Pois os discursos e suas falas são para os pobres, mas a governancia é em favor dos mais abastados, principalmente os bancos com juros escroxante, e com isso proporcionando ao capital extrangeiros e especuladores internacionais ganhos astronomicos, que não se vê em qualquer outro pais. Basta ver a situação de nosso homem do campo principalmente pequeno agricultor que além de não contar com linhas de crédito junto aos bancos, quando a consegue os juros altos e os baixos preços agricolas praticamente os coloca em uma situação constrangedora ou até falimentar.Cadê a reforma tributária? Cadê a reforma eleitoral? Cadê a reforma agrária? Cadê punição para os coruptos do Válerioduto? integrantes do alto escalão do geverno Lula? Cadê os 10 milhões de empregos prometido ainda no primeiro mandato? E outros tantos. Desculpe mas PT. e Lula nunca mais.

  17. Ronaldo Floriano says:

    Enquanto não vermos deste governo, medidas efetivamente revolucionarias na transformação da Educação em nosso pais, não poderei deixar de criticar os mecanismos de soberania adotado por ele.

    EDUCAÇÃO É PÁTRIA LIVRE!!

  18. DARCI BORGES says:

    Acredito também que muita coisa poderia estar melhor, principalmente na Educação, na Segurança e outros setores…
    Mas é possível vislumbrar uma luz, uma esperança, porque os primeiros passos foram dados. Afinal são quinhentos anos de elite no poder, sem compromisso algum com coisa alguma. Tudo culminando com o desmonte feito pelo governo antecessor (o do professor!..). Acho até que Lula tem feito muito, dentro do que lhe é possível. Dilma 2010! Terceiro mandato já! É o desejo de 81% dos brasileiros, agora com uma melhor auto-estima, agora já podendo comer seu arrozinho-com-feijão…
    Os derrotados e derrotistas que engulam o mundo inteiro aplaudindo o Brasil e seu grande Estadista, Sr. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA!!!!…..

  19. silvana says:

    Usei este espaço para pedir ajuda num trabalho da faculdade. preciso saber o motivo que levou o Sr. Leonel Brizola, ter o direito de resposta contra a globo em 1994.
    Agradeço atenção aguardo resposta.

    • Brizola Neto says:

      Silvana,
      Vou contar, resumidamente, a história. O carnaval, àquela época como agora, era subsidiado pelo poder público. E se saía dinheiro público para pagar a festa, nada era recebido pelos direitos da transmissão do carnaval pela Globo que, como você sabe, rende cotas altíssimas de patrocínio. Meu avô, numa entrevista em 1992, sugeriu que a prefeitura, à epoca ocupada por Marcello Alencar, passasse a cobrar. Foi o que bastou para o editoral violentíssimo contra ele em “O Globo”, chamando-o de senil. O mesmo editorial foi lido por Cid Moreira no Jornal Nacional. O Dr. Siqueira Castro, chefe do Gabinete Civil, e o Dr. Nilo Batista, vice-governador – que já fizera várias ações de direito de resposta a ataques a Brizola – sugeriram a ação. Meu avô não pôs muita fé em que funcionasse, mas topou apresentar o texto – o prazo paraisso é de 24 horas da publicação. A ação rolou por dois anos – incrível demora para responder a algo que sai na imprensa, não é? – e acabou saindo. A leitura da nota, pelo Cid Moreira deixou o país inteiro de queixo caído. O resto você já viu em vídeo aqui ou no youtube. Se precisar de algo mais, pode pedir. E muito obrigado pela visita ao blog.

  20. Luizinho Martins says:

    Triste é ver o ministro da educação Haddad ocupar o espaço nobre de TV em cadeia nacional para falar das escolas técnicas, que são necessárias é verdade, mas preferia ouvi-lo dizer que construiu 1 escola de ensino integral ou que o governo investiu 1 centavo no melhor projeto de educacional que o Brasil já experimentou e que fez de Brizola o único político neste país a realmente acreditar que a EDUCAÇÃO PÚBLICA e de QUALIDADE são as verdadeiras “chaves da soberania das nações no mundo moderno”, o que pode ser destacado do discurso do presidente Lula é o fato de ter feito a defesa do reestabelecimento da ordem democrática em Honduras.

  21. Jean Berlanda says:

    Como sempre, muito bom no discurso, já na prática, nós brasileiros que encaramos a realidade diariamente sabemos bem que vivemos sob uma farsa governamental.
    Se não fosse o discurso populista o grande trunfo do Lula, sua candidata, a que representa a continuidade deste governo estaria liderando com ampla folga nas pesquisas.

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